José Saramago morreu hoje, na sua casa de Lanzarote, vítima de cancro. O escritor sofria de leucemia crónica. Aos 87 anos, o escritor deixa uma obra vastíssima, pela qual venceu o Nobel da Literatura.
Nascido em 1922, na azinhaga, uma pequena aldeia no concelho da Golegã, Saramago cresceu em Lisboa, cidade para onde a família se mudou ainda nos anos 20. Visto que tinham poucos recursos, José Saramago não pôde frequentar a Universidade. Mas era apaixonado por livros e frequentador assíduo da biblioteca do Palácio Galveias.
A sua paixão pelos livros levou-o a escrever e, em 1947, aos 25 anos, publicou o seu primeiro romance, Terra do Pecado. Entretanto, foi trabalhando como tradutor e na Editorial Estudos da Cor. Esteve mais de vinte anos sem escrever pois, segundo afirmou numa entrevista, não tinha nada para dizer. Quando a voz literária voltou, resolveu dedicar-se à poesia, lançando Os Poemas Possíveis (1966), Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). Entretanto, começa a trabalhar no Diário de Notícias, mudando-se depois para o Diário de Lisboa. Retornou, em 1975, ao Diário de Notícias, como director-adjunto, mas por altura do 25 de Novembro é demitido. É então que abandona o jornalismo para se dedicar inteiramente à Literatura.
Em 1977 retorna, então, ao romance, com Manual de Pintura e Caligrafia, mas será apenas em 1980, com Levantado do Chão, que atinge o reconhecimento. Em 1982 publica Memorial de Convento, criando a personagem Blimunda e atraindo, definitivamente, a atenção de todos. Nunca mais parou de trabalhar e de escrever. Seguiram-se-lhe O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), História do Cerco de Lisboa (1989), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991). Quatro anos mais tarde é a vez de publicar Ensaio Sobre a Cegueira (1995), depois Todos os Nomes (1997), A Caverna (2001), O Homem Duplicado (2002), Ensaio sobre a Lucidez (2004), As Intermitências da Morte (2005), A Viagem do Elefante (2008) e, por último, Caim (2009).
Em 1995 José Saramago foi distinguido com o Prémio Camões, o mais importante Prémio Literário da Língua Portuguesa e, em 1998, ganhou o Nobel da Literatura, sendo o único escritor português a ter vencido este prémio.
Sempre teve uma consciência política muito forte pelo que, em 1964, se afiliou no Partido Comunista Português. E foram muitas as polémicas em que se viu envolvido: muito crítico relativamente a Israel, sempre defendeu o povo Palestiniano, sendo por vezes acusado de anti-semitismo; defendeu também que Portugal teria a ganhar se fosse integrado em Espanha país onde, aliás, se exilou, para viver em Lanzarote com a sua mulher, a jornalista e escritora espanhola Pilar del Rio; criticou o Papa bento XVI, tecendo, várias vezes, fortes censuras à Igreja. Com a publicação do seu último romance, Caim, em 2009, voltou a acender esta polémica já antiga. Essa, era, aliás, a sua intenção, afirmou em diversas entrevistas. Não é de estranhar: José Saramago sempre lutou, ao longo da sua vida, pela liberdade de expressão.
rita.s.freire@sol.pt
in: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=176170
Gostar disto:
Be the first to like this .